Posted 9 months ago

Sobre pintar e polvos

Sempre que eu dou uma enlouquecida eu volto pra cá, ne? Pois bem. Finalmente eu encarei esse maldito quadro que ta me assombrando desde dezembro de 2012 dentro do meu quarto, olhando pra mim enquanto eu durmo. Peguei ele e vou finaliza-lo de uma vez. Algo me diz que é a unica coisa que eu posso fazer pra tentar mudar algo por aqui, talvez concluir um quadro que já vai fazer um ano parado seja um rompimento forte o suficiente pra mexer em alguma coisa aqui por dentro e, bem, acho que só pode mexer de formas positivas. A tinta, as cores se misturando, o brilho delas, essa sensação de liberdade quando se cria um mundo dentro de outro lugar, onde o céu é da cor que você quiser, onde corvos rasgam o seu estomago e voam de dentro de você, onde borboletas saem de dentro da sua cabeça, mexer com o zoologico da gente se libertando da limitação corpo-essência, essa sensação de poder, isso tudo mexe com a minha cabeça hahaha talvez por isso o medo de voltar a pintar, por isso adiar tanto. Mexer com isso é muito poderoso, tanto pela euforia mágica que normalmente traz quanto com a obrigação de enxergar o que a gente não quer e que escapa pelos dedos, se equilibrando pelo pincel até as cerdas e acaba aparecendo quase sem querer na tela, bem na sua cara, e a culpa ainda é inteiramente sua. Uma vez escrevi no meu falecido tumblr que arte é uma questão que, pra mim, já se relaciona não a gostar, mas a poder/precisar. Seja precisar dela ou da ausência dela. Teve época em que eu fuçava tudo, pesquisei muito sobre o Munch e isso me preenchia, já em outras épocas eu não quero mais, não me sinto macho o suficiente pra encarar aquele Grito de angustia que tanto o Munch, quanto eu, quanto muita, mas muita gente já quis dar, ja sentiu ecoar por dentro num passeio que deveria ser agradável, mas que você mesmo se faz o favor de interromper.

Ontem o Turatti me mostrou um texto sobre polvos, sem saber da minha fascinação desde criança por animais marinhos - informação útil: no meu top3 disputam o polvo, o diabo-negro e o tubarão-baleia. Eu nunca entendi muito bem a razão deles me deixarem tão curiosa, desse tal apego, cada um com sua razão sem-razão, mas nenhum com razões objetivas - o texto tá ficando confuso, acredito que menos de 5 pessoas estão lendo até aqui e uma delas sou eu no futuro, então peço desculpas a vocês e a mim, mas eu nao sou boa em organizar ideias, especialmente quando elas estão meio que fervilhando aqui hahahah enfim, voltando ao texto do polvo. O polvo era um dos que eu gostava porque gostava e agora, depois de ler o tal texto, arranjei razões. “The octopus does not transmit its linguistic intent, it becomes its linguistic intent… Like the octopus, our destiny is to become what we think, to have our thoughts become our bodies and our bodies become our thoughts. This is the essence of a more perfect Logos, a Logos not heard but beheld”, era o que dizia. Eu gostava do polvo por ele ter esse movimento, quase que uma dança, um movimento aparentemente desgovernado, mas controlado ao mesmo tempo. Parece assustador, mas não é, ele sabe o que todos esses tentaculos querem, ele tem um cérebro pra cada um afinal, mas agora eu sei que ele nao só sabe, ele sente também. Quando eu quase enlouqueci mesmo, em janeiro de 2011, lembro de ter a sensação latente de um polvo dentro da minha cabeça que enroscava alguns pensamentos como que por acaso e os arrastava e largava aos pouquinhos, devagar, mas sempre em movimento, oito tentáculos pra uma só cabeça. Isso não em crises, em crises eu tinha só vários escaravelhos dentro da cabeça devorando a minha identidade hahahaha, mas quando estava mais devagar, quando estava bem ou mesmo sonolenta, era só um polvo. Parece agradável, mas era extremamente cansativo ter ele aqui, agoniante e tal, mas a questão não é essa. O polvo é impulsivo, mas não imotivado. Claro que rola uma identificação pesada hahaha foi reconfortante saber que até um animal, especialmente um que sempre foi tão mágico pra mim, passa por isso. Deixa transparecer nos movimentos o que sente, instintivamente, não havendo outra forma de faze-lo. Aparentemente desgovernado, mas seguindo um fluxo próprio e sobrevivendo através disso. Agora sim eu gosto de ser um polvo (:

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you tricked your mind to feel

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Stay

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